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16 Nov 2008

Carga e TAP salvam Pedras Rubras

Posted by acdporto

Expresso via o portal de aeronáutica Linha da Frente
data de publicação desconhecida mas pelos posts parece ter uma data perto do fim de 2006

“Se o movimento de carga aérea é um sinal exterior do dinamismo de uma região, a economia do Norte nunca esteve tão pujante como este ano, por contraste com a estagnação de Lisboa. A verdade é que o movimento no Aeroporto Sá Carneiro (ASC) explodiu - o crescimento rondará os 40%, descolando dos tímidos 3% de anos anteriores.

Mas o contributo da economia nortenha neste desempenho é irrelevante. Ainda assim, o director do aeroporto, Fernando Vieira, fala da vocação ibérica do aeroporto e de uma área de influência centrada no noroeste peninsular para relacionar a economia com a evolução da carga. Todos os dias, a galega Inditex (Zara & Cia) carrega aviões com destino a Atenas e Hong Kong. O grupo juntou o Porto à lista de aeroportos europeus (quatro em Espanha, França e Benelux) em que opera. Mas a opção pelo ASC foi uma decisão dos seus operadores logísticos. Segundo o porta-voz da companhia, “o transporte das peças desde os centros logísticos em Espanha até às lojas em todo o mundo cabe aos nossos provedores que escolhem as alternativas mais convenientes”. No grupo Inditex, a carga aérea representa 20% - o restante vai de camião.

O factor essencial na explosão da carga do ASC reside na preferência de poderosos operadores logísticos, em especial a UPS. Esta companhia instalou um centro operacional que funciona como a sua segunda base europeia. A saturação do seu centro principal, em Colónia, induz a transferência de carga para o Porto, em detrimento de aeroportos espanhóis como Sevilha. Neste quadro, não surpreende que a ANA aponte como prioritário o investimento de 10 milhões de euros na instalação de uma plataforma logística aero-rodoviária. A vocação do ASC centra-se na carga geral, como a têxtil, calçado ou componentes de automóvel.

A má notícia para a ANA é que, no transporte de carga, a receita não é proporcional às toneladas movimentadas. Os contratos assentam numa lógica diferente - o crescimento de 40% terá um contributo modesto no aumento de receitas. Em geral, o segmento de carga vale 15% do negócio de aviação pelo que o desafio de um aeroporto com exploração deficitária como o ASC - as obras de 380 milhões de euros agravaram os custos de funcionamento, manutenção e os encargos financeiros - passa pelos passageiros.

Neste capítulo, o ano tem-se revelado também generoso, impulsionado pelas companhias de baixo custo que representam já um quinto do tráfego. O volume de passageiros crescerá 10%, superando os 3,4 milhões, um quarto do registado na Portela. O contributo das «low cost» (a Ryanair representa meio milhão de passageiros) é fundamental, mas talvez insuficiente para equilibrar a exploração. A promessa da TAP de instalar um segundo «hub» revela-se, assim, vital e salvadora. O seu novo plano estratégico incorpora dois pontos que beneficiam o mercado do Norte e o seu aeroporto - ponte aérea entre Porto e Lisboa e reforço das ligações directas. A TAP conserva a quota de 40% dos utilizadores do ASC e fechará o ano com um subida ligeira (2%), apesar de ter inaugurado voos directos para Brasil e Estados Unidos. O que mudou foi o perfil de tráfego, com a transferência do segmento doméstico para o longo curso - um terço dos passageiros que embarcavam na Portela para o Brasil eram oriundos do Norte. A contagem é, por isso, igual, mas o ASC beneficia nas taxas - o valor cobrado varia entre os 7,14 euros (espaço Schengen) e os 12,13 nos voos internacionais.

Abílio Ferreira

AS PROMESSAS DA TAP

Voos domésticos
No âmbito da operação de compra da Portugália, a TAP promete uma ponte aérea entre Porto e Lisboa, com aviões mais pequenos a descolarem de 90 em 90 minutos. Satisfaz uma reivindicação antiga dos agentes nortenhos que pedem frequência de voos em vez de capacidade.

Ligações directas
O novo plano estratégico prevê o reforço das ligações directas para vários destinos, a partir do Porto, criando um segundo centro operacional e libertando a sobrecarregada Portela.

Estas duas intenções funcionam como ‘remédio’ à aquisição da Portugália, no caso da Autoridade da Concorrência detectar malefícios na concentração.”

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