15 Mai 2009
Carta aberta à Associação de Cidadãos do Porto, Braga e Aveiro - Tua e artificialidades
“Caras Associações
Eu vou ser muito sincero e directo.
Estou-me a lembrar da equipa que resolveu avançar com o projecto das indústrias criativas em Serralves.
Acabou a liderar a Agência de Criatividade. Já têm uma função e uma remuneração. E podem crer que aquilo vai dar em muito pouco. Mas juntou todos os notáveis da cidade e arredores.
Por sua vez, o Presidente da Junta de Paranhos lançou, ontem, o HUB do Porto.
Eu vi lá muitos notáveis, de outra estirpe, que não são as mesmas pessoas de Serralves.E aquilo vai funcionar…
Custa-me estar a viver e a contribuir para a criação de situações artificiais, por muito louváveis e meritórias que o sejam, e deixar cair, por egoísmo e miopia, as situações e os apelos reais, para as quais nada fazemos.
Entretanto, só porque não está ao alcance dos nossos olhos, e sobretudo, por não ser uma luta cuja originação tenha sido nossa, deixamos engenheiros construir uma barragem que vai contribuir para “reduzir a nossa dependência energética de combustíveis fosseis”, e matamos todo um potencial de ligação turística e de mercadorias do Porto de Leixões até Salamanca, que efectivamente rompa com a interioridade e potencia o nosso desenvolvimento regional?
É nisto que dá ir debater a regionalização, a todos os lados onde o assunto é aflorado? Ficamos depois cansados na hora da verdade.
E a defesa dos nossos problemas e das nossas causas bem reais? Isso dá trabalho e é pouco visível?
Eu estou farto de fetiches de engenheiros com as suas barragens. Que Conselhos de Administração ausentes e distantes decidam mais do que poderes eleitos, como, por exemplo, o Sr. Presidente da Câmara de Mirandela.
Estou cansado de ouvir arquitectos, engenheiros e economistas a falar de reabilitação da cidade como se isso tivesse a ver com obra física, quando a reabilitação que é precisa é a social, de criação de negócios de proximidade, de desenvolvimento de projectos que criem emprego, de afirmação nos mercados internacionais, de retenção de riqueza na cadeia de valor …e depois a recuperação física aparece feita.
Estou farto que se peguem nessas discussões, dando um triste espectáculo de supostas rivalidades ou ajustes de contas do passado,
Eu peço a todos que nos unamos e façamos as redes e as Associações da Região Norte falar em defesa e apoio a uma pessoa e a uma causa que foram deixadas sózinhas nesta luta, “o Sr. Presidente da Câmara de Mirandela e a manutenção da linha de caminho de ferro do Tua”.
Destroi-se a nossa história, o nosso ambiente e nós estamos aqui a ver se criamos mais razões de luta e de existência das Associações…
Perdoem-me, mas artificialidades não são causas e são um bom exemplo de falta de altruísmo na luta contra efectivas injustiças.
Não sejamos míopes e percebamos quando outros precisam da nossa ajuda. Nem todos precisam de estátuas na Terra,
O Douro, o Porto, o Norte e o país vão beneficiar com esta linha a funcionar.
Não se sentem revoltados quando bandos de advogados se preparam para defender em tribunal que o espírito que está subjacente à necessidade da EDP reconstruir, a outra quota, a linha do Tua, tem a ver com a essência do serviço a prestar e que esse pode ser feito por barcos?
Apenas para evitar custos excessivos à EDP.
E o que pensam desta mesma Empresa poder fazer mais pela nossa competitividade nacional se reduzisse as suas tarifas para o nível do praticado por nossos concorrentes empresariais, nomeadamente em Espanha, do que em criar com os excessos de resultados da sua actividade Fundações e outras artificialidades dedicadas a causas e à responsabilidade social? Não faria mais por essas causas se fosse mais justa nos preços que pratica, com isso contribuindo para não asfixar tanto os seus clientes empresariais e particulares, sem ser depois preciso ir atrás com ajudas sociais?
É que as entidades empresariais focam a sua atenção na rúbrica Custos com Pessoal, quando a sua sobrevivência depende mais dos tais FSE’s, onde os custos com energia são variável marcante, do que das despesas com pessoal cuja função final é alimentar a dimensão do seu próprio mercado interno de clientes…
É possível criar uma rede ferroviária entre Leixões e Salamanca, que até seja sustentável financeiramente e essa é a forma, pela positiva, do Sr. Presidente da Câmara de Mirandela liderar a última hipotese que terá de evitarmos um erro irrecuperável. Com as redes e as Associações a unirem-se em torno desta causa.
José Ferraz
AcdPorto”
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Caro José Ferraz, AcdPorto
Quero deixar aqui expresso o meu completo apoio a esta sua proposta na qual a visao prospectiva vai a par da capacidade de ultrapassar quezilias regionais.
Na minha qualidade de presidente da Direcçao do DIP http://www.democraciaportuguesa faremos tudo o que e possivel para afirmar estes seus propositos que tambem sao os nossos
Mendo Castro Henriques
mendohenriques@fch.ucp.pt
Mendo Castro Henriques
Maio 16th, 2009 at 16:44permalink