25 Set 2009
Galiza abre guerra ao Aeroporto Sá Carneiro
Publicado em 25-09-2009 no Grande Porto
“Enterrar orgulhos localistas para derrubar o terminal de Sá Carneiro. A feroz ameaça do Porto gerou a reacção do Governo central que, em tempo recorde, pôs toda a carne no assador para vencer a pujante base do país vizinho”. Assim principia um artigo do jornal El Correo Gallego sobre a ‘ofensiva’ espanhola em preparação para pôr fim à posição cimeira do aeroporto do Porto no espaço aéreo do noroeste peninsular.
No dia 18 de Setembro, a Secretária de Estado dos Transportes espanhola, Concepción Gutiérrez, presidiu em Santiago de Compostela à primeira reunião para a criar do Comité de Desenvolvimento de Rotas Aéreas da Galiza.
A criação deste instrumento foi anunciada dois dias antes pelo ministro do Fomento, José Blanco, no sentido de “dotar a Galiza de uma ferramenta eficaz para impulsionar o tráfego aéreo nos seus aeroportos, promover a criação de emprego e ajudar ao desenvolvimento da actividade económica nesta comunidade autónoma”, salienta uma nota de imprensa da AENA – Aeroportos Espanhóis e Navegação Aérea.
Através da união de esforços das várias administrações (central, autonómica e local), bem como de outras instituições, pretende-se “estabelecer e consolidar novas rotas aéreas” na Galiza. Atestando a importância dada ao sucesso desta estratégia conjunta, estão representações ao mais alto nível, desde elementos do Ministério do Fomento, Junta da Galiza, Câmaras Municipais da Corunha, Santiago e Vigo e organizações empresariais.
Num comunicado enviado ao GRANDE PORTO pelo departamento do Meio Ambiente, Território e Infra-Estruturas da Junta da Galiza, acredita-se que a gestão coordenada dos três aeroportos galegos (de Santiago de Compostela, Corunha e Vigo) permitirá “alcançar a liderança no noroeste peninsular”.
“Lutar contra o Porto”
Para o Governo galego “é imprescindível” conseguir o “máximo entendimento” entre as administrações como meio de conseguir uma “gestão eficaz e integrada dos aeroportos”. Citando o responsável pelo departamento do Meio Ambiente, Território e Infra-Estruturas, Agustín Hernández, o mesmo comunicado aponta uma estratégia integrada, alicerçada na ideia de que a Galiza “dispõe de um grande aeroporto com três terminais que está a movimentar mais de quatro milhões de passageiros ao ano, praticamente o mesmo volume que o Porto”, e “nenhum cidadão galego poderia entender” que a região perdesse a oportunidade de “liderança”.
Contactado pelo GP, Fran Camino, jornalista especializado em temas aeronáuticos para a revista de aviação espanhola Airline92, e também consultor pontual em várias companhias, explica que a intenção é que os três aeroportos actuais se passem a designar com a mesma sigla, GLC.
“A ideia é lutar contra o OPO com um aeroporto único com três terminais, mas também eliminar as disputas entre os três aeroportos [ver página seguinte], e que sintamos que todos os aeroportos são de todos os galegos”, diz.
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